Meu interesse ao retomar o velho debate sobre "Sexualidade e Preconceito" é saber porque a sexualidade continua sendo um grande enigma do ser humano. Por que, a despeito de tanta "evolução" ainda existem tantos tabus e preconceitos em relação à sexualidade? Se observarmos as diversas reações da atualidade em relação a certas atitudes de conotação sexual, ficaremos impressionados ao constatar que tais reações permanecem imutáveis ao longo da história. Assim, enquanto no passado havia uma preocupação excessiva, que pode nos fazer rir, com a questão do prazer, com os perigos da masturbação e outros tantos ligados à sexualidade, hoje, depois da "revolução sexual" dos anos sessenta, assistimos a acontecimentos, no fundo, bastante semelhantes: recentemente a mídia noticiou que uma professora de uma escola pública de São Paulo, teria obrigado que um aluno de 4 anos lavasse a boca com sabão por ter beijado um colega. Nos USA um aluno de 7 anos foi indiciado por assédio sexual por ter abraçado uma colega! O suplemento TEENS da Folha de São Paulo de 18/1O/99 publicou uma extensa matéria sobre um renomado colégio da Capital Paulista que estava ameaçando de expulsão um aluno que se declarou homossexual e disse estar apaixonado por um colega. Porque o sexual desperta tanto terror podendo, às vezes, gerar atitudes absurdamente repressivas? Não se trata aqui, evidentemente, da sexualidade que se mostra explicitamente mas, antes, daquela que desperta elementos recalcados evocando cenários inconscientes em quem vê a cena. Mas não é só esta forma de sexualidade que parece enigmática. Por que, à despeito de tantos movimentos, de tanta informação, as campanhas que incentivam o uso do preservativo, assim como aquelas que procuram informar como evitar a gravidez na adolescência, são tão pouco eficazes? Que fatores inconscientes são despertados para que a atitude correta não seja tomada no momento em que isto se faz necessário?

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